quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

O primeiro livro literariamente oficial do ano

Fim do ano passado eu disse assim para mim mesma: "Em 2021 irei ler, no mínimo, 12 livros literários, e no máximo, infinitos". Vai ter de encaixar na minha rotina.

Minha justificativa para tal objetivo é por conta do vazio que se estabeleceu após 10 anos de vida acadêmica e profissional. Nunca parei de ler. Todo dia eu leio. Todosantodia. Mas literatura mesmo, de forma “despretensiosa” (nunca as leituras são despretensiosas, hahaha).... Já não lia há muito tempo. Leio sempre livros de literatura, mas de forma muito espaçada entre um e outro. E olha, que diferença faz ler livros sem o peso acadêmico ou profissional, sobretudo para criatividade, escrita, complementar projetos mais teóricos e tudo mais.

Então. Na "pegada" das questões raciais, movimento negro dentro e fora do Brasil, representatividade e afins, iniciei pelo clássico norte-americano O sol é para todos (To Kill a Mockingbird), da Harper Lee. Não vou dizer que o título seja muito interessante para o enredo que o livro traz, mas depois de ler compreendo melhor do porquê “o sol é para todos”. Para mim se trata de uma ironia. Com certeza você deve ter outra compreensão.

Agora, primeira confissão e constrangimento: eu pensei que quem escreveu tivesse sido um homem. Pois é, Harper Lee (1926-2016) foi uma mulher norte-americana. Eu ri sozinha disso quando foi pesquisar sobre quem escreveu. Mas espero me redimir do equívoco, já que gostei do livro e considerei uma ótima abertura para o meu ano literário.

A edição da José Olympio, dourada, com capa dura e ótima diagramação foi uma boa escolha para quem, como eu, curte ter “clássicos” na biblioteca pessoal. A tradução da Beatriz Horta foi muito gostosa de ler. Para uma edição comemorativa desse livro publicado pela primeira vez em 1960, faltou uma introdução ou conclusão mais caprichada sobre o contexto do livro e da autora.

Um livro simples em sua narrativa, mas uma boa introdução para pessoas mais jovens se introduzirem nas discussões sobre racismo. Adoraria ter Atticus Finch (uma personagem do livro) como amigo. Aliás, a autora era formada em Direito, o que explica também uma parte do enredo e a construção do personagem Atticus Finch.

Há um filme premiado com Oscar de melhor roteiro adaptado, de 1962. Talvez eu assista. De certa forma o livro não me gerou tanto impacto devido a já ter lido outras discussões sobre racismo bem tensas, o que fez com que as situações apresentadas no livro não me parecessem tão novas. Mas para a época uma narrativa como essa com certeza deveria chocar os leitores e fazê-los refletir.

Claro que há muito o que se pensar e falar sobre o livro. Só que agora estou querendo apenas registrar esse “pontapé” literário. Sem pressões, sem culpa e sem muitas surtadas.

E vamos para o ´próximo.

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