Talvez eu saiba do que tenho sentido tamanha preguiça. Manter o mistério ajuda a lidar com a questão de forma mais sarcástica e irônica - para mim mesma. Ou por não querer chatear a sociedade (nossa, é preciso se considerar muito importante para considerar essa possibilidade). O ano mal começou e já não sei o que priorizar. Fiquei mal acostumada a idealizar tanta coisa em 2020, que qualquer indício de prática cotidiana me deixa em alerta: "será que preciso fazer isso mesmo"?
Daí vem aquela vontade louca de "resetar" tudo. Desde a vida material, social à digital. Por quais razões? Ah, preguiça de lidar com as pessoas e coisas. Quem não está, não é mesmo? Qualquer lampejo de novidade rapidamente se configura uma via crucis. Um desespero repentino preenche as vias respiratórias e sanguíneas... E o estrago está feito.
Caramba, desde quando virei essa pessoa? Risos desconcertantes.
Uma simples organização resolve muito dessas pesadas sensações. Mas o ser humano gosta de drama, e eu como boa "ser humana", estou totalmente entregue. Procrastinação, velha amiga, vem cá. Pessimismo? "Simbora" prosear. Impaciência infinita até com a contagem dos segundos? Presente. Perspectivas alucinógenas do quadro social em que vivo? Nossa, super.
Calma. Está tudo bem. A vida está fluindo. Concentre-se nas bênçãos. O que seria de nós sem esses sentimentos tão melhores que chá de camomila? Aliás, chá é ótimo, dizem. Mais um hábito que não consegui incorporar à minha rotina e agora volto a me sentir péssima. Leite fervido - ora com mel, ora sem mel - serve? É interessante da mesma forma.
Caramba, desde quando virei essa pessoa? Risos millennials.
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