domingo, 12 de abril de 2015

Facilidades e Entraves

Cada geração vivencia pressões específicas de sua época, de acordo com o espaço onde vive, das oportunidades que alcança. Essa geração tecnológica da qual me sinto inclusa não vive em um contexto mais fácil ou mais difícil do que em momentos anteriores. Todavia, cada contexto guarda suas facilidades e entraves. E um dos entraves pelo qual minha geração passa - posso está enganada - é um sentimento de imediatismo, ansiedade crônica, decepções mais difíceis de serem superadas etc. Não quero com isso afirmar que toda uma geração sofre algumas dessas coisas, mas posso afirmar que sou uma pessoa que sofre em menor ou maior grau com algumas delas. Constatar isso é muito difícil, na medida em que ao receber uma educação, expandir minha compreensão das coisas, poderia ajudar a não ter esses "sintomas".
Talvez esse sentimento seja evidenciado pelo meu contexto em especial. Sinceramente não imaginava que seria complicado estudar tanto e consequentemente sofrer por isso. Faz parte do processo? Não sei. Em outra linha de raciocínio poderia refletir sobre essas dificuldades, mas não gostaria de focar isso agora. A questão é que essas dificuldades relacionadas ao estudo acabam enfraquecendo a vontade de chegar em algum ponto em que se sinta realmente autônomo e capaz de realizar as coisas. Por isso que a ansiedade é tão prejudicial. Costumo ouvir opiniões e conselhos de que o melhor é fazermos o exercício de olharmos para trás e ver o quanto já vivemos e aonde chegamos. Ou seja, se achamos difícil prosseguir, imagina lá atrás, quando continuamos com o mesmo sentimento de dificuldade. E não foi por essa dificuldade que deixamos de estar aonde estamos HOJE, não é mesmo?
Fazer esse exercício não é fácil. No cotidiano passamos por experiências boas, e temos que cuidar para que as negativas não tragam frustrações que nos amarrem no mesmo negativismo. Sinto que é um desafio manter o psicológico em um estado que suporte as pressões, o medo, a ansiedade, a raiva, os desejos não atendidos. E por ser jovem é como se isso fosse muito importante, para quando chegar aos quarenta anos - sempre planejamos viver muitos e muitos anos... - não fiquemos surtados ou pesarosos pela escolha profissional. E realmente, só estou escrevendo pensando no profissional. E as consequências de nossas escolhas afetivas, políticas etc.? Pois é, ninguém disse que a vida seria fácil.
Estou em um ponto muito longe, comparado de onde comecei. E vou continuar prosseguindo, sorrindo ou chorando. Isso pode ser razão de um senso de dever, ou por ser uma pessoa determinada, ou por não entender no que vale a pena lutar. Descarto a última opção. Até porque a todo momento estamos construído e sonhando, analisando pelo que vale a pena despender nossas forças. E quando eu pensar que "cheguei lá", ainda vou estar insatisfeita, procurando a realização de um sentimento que ainda não foi "significado".

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