segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Interligando Coisas

Algumas coisas se interligam na minha mente. Não há como escapar, principalmente naquelas tardes preguiçosas, e ver de maneira irritada os programas sensacionalistas e policiais anunciando tragédias, calamidades, violência etc. E o da vez era novamente as enchentes na grande São Paulo. Sinceramente, ainda bem que não moro em São Paulo. Seria superficialidade minha apontar apenas isso como motivo, e além disso, não conheço sequer a cidade. Mas o meu alívio advém de não morar em uma cidade já nitidamente abarrotada de tudo. E o meu não alívio advém de morar justamente em uma cidade de médio porte, caminhando para o caos daqui há umas décadas... Enfim, tentando me desvencilhar do alívio ilusório momentâneo, também percebi a pessoa que apresentava com muita pena das pessoas que foram atingidas e tiveram prejuízos por causa da enchente.

Rapidamente me veio uma preocupação que causa aquele desconforto rasteiro, perigoso, angustiante... Sim, porque eu também moro em zona urbana propensa a situações como esta (ironicamente aqui não chove já faz um tempo). E onde quer que eu vá morar ao longo dessa vida eu não gostaria de viver em uma cidade com problemas assim, com lixo jogado na rua, com rio poluído, com as ruas com casas individualizadas e famílias preocupadas consigo mesmas. Lógico que não vou conseguir afanar minha angústia só em confessar isto aqui. E nem me tornando uma ambientalista de meia tigela. Será que me engajar em algum grupo, causa, estudo etc. funcionará? Ou será que o que precisamos é de mais consciência? É preciso que as pessoas tenham conhecimento, sintam o impacto dessas transformações ambientais. Só que a coisa tá... Loucura.

Bem, mas a pessoa que apresentava o programa só lembrou de vomitar frases de efeito. O político que não utiliza a verba direitinho pra fazer a água escoar; o caminhão do lixo que não tem hora pra passar etc. E nós? Quando vamos admitir que não temos educação com o nosso lixo? Não temos iniciativa e não há mais disseminado o espírito comunitário de um bairro pra cuidar do que é nosso... Eu imagino o quanto é interessante fazer parte de uma comunidade unida e consciente de seus deveres. Qual será minha responsabilidade nisso tudo?

Esses dias assisti dois filmes famosinhos da temporada. O primeiro, O Abutre, casa bem com o que falei sobre o programa, só que o filme aborda mais a questão da violência, fatos policiais etc. O longa tem a mesma pegada do filme A Montanha dos 7 Abutres, já antiguinho. E juntando as abordagens dos dois, fiquei pensando no que a mídia anda fazendo em termos de informar a população. Pensar nisso causa uma tensão, porque foge do controle da nossa percepção a imensa responsabilidade que as emissoras possuem. O segundo, A Teoria de Tudo, deixou-me afetada tanto pela história de vida do Stephen Hawking, mas também em como me percebi diante das minhas possibilidades de ação. É preciso agir; as vezes não se sabe o momento certo para agir. Será que a inquietação é um bom passo para se começar a agir?

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