De vez em quando, pego-me pensando sobre o que quero alcançar quando o assunto é o trabalho, a carreira, ou seja, uma vida moderna e cansativa (pretendo não ser mais melodramática no decorrer do texto - ou não). Hoje em dia está bem mais fácil sonhar com certas coisas sendo uma mulher. Engraçado perceber que se eu tivesse nascido em outra situação, família diferente, oportunidades diferentes, talvez eu não quisesse realizar algumas coisas, ou não me interessasse por outras. Mas o fato é que hoje sou uma pessoa com alguns sonhos, devaneios, algo já realizado, outras realizando e as demais por realizar. Enfim, não vou fazer aqui um estudo conceitual do que significa para mim "sonhar", "realizar" etc., mas dá a impressão que isso é particular a cada um. Por isso, o que aqui escrevo é um deslumbramento, talvez por motivações do fim do ano.
O certo é que o fim do ano todo ano tem. Pelo menos desde que nasci. Antigamente poderia ser diferente o modo como as pessoas viviam o tempo. A questão é que quando chega esse período temos a tendência de fazer balanços, estabelecer metas, entristecer-se com alguns resultados não esperados. Pois bem, eis que isso também acontece comigo. Não ao ponto de sempre vir a um blog filosofar um pouco, semear chatices e blá blá blá. Mas 2014 foi um ano muito diferente, se eu tomar dessa forma. Pois em 2013 eu pensava que seria totalmente outra coisa. O plano era outro. Mas não me cabe aqui filosofar sobre o porquê as coisas aconteceram do jeito que foram. Simplesmente minha vida deu um giro de 360º graus. E sobrevivi.
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| A sobrecarga cotidiana... |
Não sei se amadureci um pouco mais com isso. Bom saber que sempre estarei em processo de amadurecimento, e mesmo que essa palavra não soe tão bem, quem sabe pensar que estarei ficando um pouco mais sábia, ou o que o brasileiro gosta de pensar, "mais esperta". Só que não adianta, a gente acaba pensando no "se". Se tivesse sido aquilo que imaginei... Bem, essa enrolação toda foi para chegar nessa parte em que esclareço porque o ano 2014 foi tão atípico para mim.
Uma coisa era certa: eu iria começar algo novo, independente do que fosse. Isso porque eu terminei a faculdade. Ou iria trabalhar, ou continuar estudando. A ideia era continuar estudando. Isso eu consegui. Porém, não estudando o que eu havia planejado. E a sensação hoje é de me sentir bem em não estar estudando o que havia planejado e onde eu pensava estudar. Se o propósito era eu ter consciência disso, não foi fácil. Passado o processo doloroso, vem as honras. Eu levo muito a sério esse negócio de premiação, reconhecimento etc. E por isso foi um marco pessoal ter o reconhecimento acadêmico que eu só sabia que existia, mas não sabia que era algo tão possível.
Curada do susto dos desenganos em relação aos estudos, eis que a vida me prega uma peça. Continuo meus estudos, como planejado. Um desafio de motivação ter que ir pra algo novo, julgando precipitadamente. Mesmo com a pressão entre o gosto e o desgosto, consegui o impossível Mestrado. Hoje estou caminhando, otimista, ainda frustrada financeiramente, mas muito otimista. E eu preciso ser, se não a casa cai. Porque não quero voltar atrás, e nem recomeçar nada nesses termos. Então, etapa vencida, mas ainda não concluída.
E aí o pensamento contemporâneo-tecnológico-capitalista não deixa você se concentrar muito. Trabalharei mais essa pressão, mas divago. O que quero dizer é que já fico pensando minha vida após essa fase que é ultrarrápida. Mas não compete ver isso para 2015 agora. Pra 2015 há outros planos. É preciso pensar no futuro próximo sim. Não há como não pensar, mesmo que tudo seja modificado numa questão de horas (como aconteceu comigo em 2014). Talvez pensar 2015 seja mais fácil porque estou numa "estabilidade" momentânea. Diferente do ano passado, em que tive que passar por uma ruptura e começar um novo ciclo, que faz parte de um ciclo maior.
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| Mafalda e sua língua! |
A vida tem muitas nuances. Nesse texto escrevo um pouco sobre o lado profissional. Esse lado profissional cada vez mais define muito da vida, não sei se felizmente, ou infelizmente. Talvez fosse mais fácil viver uma vida mais pacata, menos ansiosa, com mais amor, menos concreto urbano, mais desapego material, menos chateações... Mas não estou nesse contexto. O mínimo que posso fazer é não me consumir por aquilo que me cerca e chega a sufocar. É concentrar no que gosto, ter consciência do que não gosto e não consigo fazer. As vezes quando minha mãe não deixa eu fazer algo, eu aviso: "A vida é uma só!". Coisas de filhos querendo dar a volta na mãe.
Mas na verdade eu preciso me levar a sério e não cair no ninho em que encontraria os principais problemas que as pessoas enfrentam ou enfrentarão nesse século. Não há como prever o futuro, mas eu sei que há como enxergar o que nossas atitudes revelam para uma vida melhor e com mais alegrias. Como eu gosto de avisar a minha mãe: "A vida é uma só!".


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