terça-feira, 26 de agosto de 2014

Desapego

É difícil exercitar - seria mesmo essa palavra? - o desapego. Não que pareça impossível. Colocando como centro algo material - mais fácil de lidar do que com seres humanos, obviamente - percebi que é não só possível, como também é uma prática que traz alívio.

A sensação, na verdade, é de que abriu portas para mim. No sentido de que estou prestes a iniciar uma fase totalmente diferente, no plano profissional. Descarreguei-me de coisas que não mais me pertenciam, que foram importantes no passado, mas que atualmente só se apresentavam enquanto entulho, obstáculos.

Logicamente, como um bom ser humano instável que sou, algumas coisas "empacotei". Para não mais vê-las e guardar uma pequena esperança de que possam voltar a serem importantes para mim, principalmente por serem tão recentes. Outras eu literalmente enfiei em sacos pretos, próprios para lixo, e deixei que levassem, sem remorso. E quanto a outros, doei, e precisarei fazer mais viagens para terminar a doação.

Pronto. Iniciei um percurso despretensioso, mas que demonstrou o impacto ao longo da ação. Olhar para a estante organizada e seguidas vezes vasculhada em busca de coisas que eu pudesse deixar para trás; sentir dores musculares pela aventura de eu mesma pintar as paredes do quarto de dormir; recuperar a função de uma impressora outrora esquecida - essa fase desapego também me trouxe oportunidades para reciclagem -; enfim, etapas que se mostram pequenas, mas que me auxiliaram no próximo passo, que será grande.

Agora o desafio será de definir ao que quero realmente me dedicar. E mais uma vez sem remorso, mas com a sensação de que preciso aprender a rever minhas escolhas e meus "entulhos" de qualquer ordem, periodicamente.

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