sexta-feira, 4 de abril de 2014

Ode à Literatura


Após uma longa pausa – com determinadas voltas de nuance para não morrer de saudades – eis que retorno à casa que acolheu em minha já distante infância. A literatura me vem como uma velha amiga a acalentar velhas frustrações que insistem em dar o tom em nossas vidas. Leio como se não houvesse mais tempo para viver as leituras do amanhã. Resgato na minha consciência aqueles títulos que há tanto tempo enamorava, mas por força de compromissos ainda mais prazerosos ou atrozes me fizeram distanciar de tão agradável momento. O momento em que você lê, por simples prazer, por preguiça da vida, por decepção, por fuga, por curiosidade... Posso considerar que ler foi uma das primeiras vitórias, conquistas, seja lá o que isso de mais significante signifique, em minha vida. Ao ato de ler aprendi o gosto pelo estudar. Ao ato de ler me vi imersa em algo que poucos podem até conseguir realizar, mas disso poucos extraem. Lembra-me meu pai: “se há algo que me arrependo de não ter aprendido, foi de ler”. Concordo contigo, meu pai. Sem ler talvez eu não conseguisse chegar tão longe. Planejar, sonhar, objetivar – quanta racionalidade – aprender, viver aquelas palavras que tanto já fizeram por mim em momentos tão cruciais na minha vida. Eis que depois de um longo tempo sem um comprometimento mais solto e leve com a leitura, vejo-me no privilégio de escolher livros tão desejados. Mas nessa história há agradecimentos: à biblioteca municipal. O que seria de mim sem as bibliotecas... Não é apenas a questão financeira, ou não ter que deixar entulhado em meu quarto tantos livros que depois de lidos, ficam esquecidos em meio à poeira. Mas por este lugar abarcar tanto livro que sei que quando precisar dela, estará pronta pra me socorrer, mais uma vez, em um momento de limbo, desespero, angústia ou sede por algo que me dê prazer em ver mais uma vez o prazer de ler histórias que me fazem ao mesmo tempo fugir e querer viver a realidade. Mas se o português já me traz tanta euforia, as línguas estrangeiras também não ficam de fora. Sou assim, sem preconceitos, não uma anti-policarpo (neologismo do calor do momento em que escrevo, vejam só), porém sou uma pessoa tão curiosa a ponto de ignorar esses bairrismos que tanto nos prejudicam... A leitura não precisa de nacionalidades. Não pode ser restritiva. Se disserem que ela liberta, que seja em nome de brasileiros, portugueses, franceses, africanos... Sem querer defender um vazio multiculturalista, dou ênfase à necessidade que temos de dar vazão à curiosidade, forçar-nos talvez à alguma aventura ou outra. Mas não se arrepender do que foi alcançado, mas trazê-la pra superfície de nossas experiências, para que mais uma vez recomece um ciclo, onde um dia retornaremos até nunca mais poder voltar...

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