sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

The Hunger Games (EUA - 2012)

Nota: 3,8/5

Antes do meu breve e humilde comentário sobre o filme Jogos Vorazes, é bom deixar claro que sou adepta da turma que gosta de ler os livros dos filmes que os adaptam. De qualquer forma, não sendo fã ou admiradora desse livro, não o li - por outros motivos diversos também - tanto que minhas críticas se concentrarão das percepções que tive do filme. O que acho até melhor, pois com isso percebemos também o apelo do filme para quem desconhecia o livro e sua "eficácia" ao tentar angariar novos fãs para a série da escritora Suzanne Collins.

Desde o seu lançamento, bastidores, burburinhos pela internet afora, fiz ideia de que este filme seria mais uma Blá Blá Blá romantizado, como a série Crepúsculo. Isso me afastou da curiosidade de ler o livro - não queria repetir a experiência de Crepúsculo, do qual apenas li os livros, não vi os filmes - então não me preocupei de ir ao cinema, e muito menos de ficar atualizada sobre essa nova sensação teen. Passado o frisson, assisti no conforto da minha casa, e para minha surpresa, não foi uma experiência tão ruim assim...

Opiniões preconcebidas à parte, considerei que a história tem um enredo bacana. A ideia de um mundo reconstruído após algum acontecimento apocalíptico geralmente me interessa, e o país concebido pela autora, Panem, mostrou-se "convincente", apesar de não bem esclarecido para o público do filme. No livro - são suposições - pode ser que esses detalhes venham melhor explicados - espero! - como uma melhor descrição da população dos distritos. No filme percebemos que há desenvolvimentos diferentes em cada distrito, onde a capital de Panem é o símbolo de tudo que há de mais moderno no país.

Porém o que mais me incomodou em termos de falta de detalhes foi justamente a concepção que a população faz sobre os jogos. Fica claro que trata-se de um reality show com jovens saudáveis - mas nem sempre corajosos - com a missão de sobreviverem ao mata-mata entre eles e se ter o vencedor. Mas qual a verdadeira explicação para isso? Não me convenceu o vídeo que a organização dos jogos mostram aos "candidatos à vaga", justificando pela guerra e as revoltas passadas a ideia de ter jogos que utilizam "o vencedor, banhado em riquezas, como lembrete da nossa generosidade e perdão (do governo central de Panem); É assim que relembramos o passado. É assim que protegemos nosso futuro".

É desse excerto do parágrafo acima, logo do início do filme, que me veio um maior interesse pelo enredo e as suposições sobre as reais discussões que o filme poderia proporcionar. Decepção, ou não, o filme nãochega a propor algo "filosófico" sobre esse modo de conviver com o passado, mas é um ponto interessante a se analisar. Logo de imediato me veio à mente o livro do Orwell, 1984, que apesar de muito mais envolvente e crítico em relação à sociedade moderna, acredito que tenha servido de inspiração para a escritora do livro Jogos Vorazes... De qualquer forma, há uma semelhança nesse sentido de como a sociedade após uma radical transformação passou a conviver com o seu presente, estando muito mais preocupada com o seu futuro. Nesse caso, a preocupação com o passado mostra-se evidente, sendo que em 1984 ele é constantemente alterado... Mas eu divago!

Entrando em termos mais técnicos, considerei muito louvável a Jennifer Lawrence no papel da protagonista Katniss, com uma ótima atuação, conseguindo dar uma identidade e carisma à personagem, tornando-se um dos pontos que salvam o filme. Seu parceiro Peeta, interpretado pelo Josh Hutcherson, dá o tom mais sentimental do filme, apesar que eu não entendi muito bem a relação anterior dos dois. O elenco secundário cumpre bem seu papel, e aliás, o papel do Liam Hemsworth acredito que deve ser melhor trabalhado nos outros livros, pois nesse serviu apenas de efeito visual... :P


 Mas creio que o diretor Gary Ross não cumpriu bem o seu papel. Incomodou-me a questão do jogos em si não terem me dado uma tensão ou euforia maior, salvo algumas cenas mais específicas já no final da disputa. Portanto, as cenas que se referem ao enfrentamento em si, achei em muitos momentos, entendiantes e forçadas... Faltou um pouco mais de criatividade, sendo que me surpreendi ao perceber que o filme faz um bom uso das músicas em suas cenas. Porém é usada uma considerável violência (jovens matando uns aos outros com facas e socos) (para um filme de apelo infanto-juvenil, a classificação etária é 12) para cenas de ações que são no mínimo chatas...

Só para fechar, pensei que a fotografia do filme me surpreenderia mais. Gosto muito de cores vivas, assim como de cores mais neutras, quando bem trabalhadas, mas foi algo que foi "caindo" no decorrer do filme. Pra um filme de um apelo tão grande, esperava um impacto visual e tomadas de ações maiores. Mas é legal de ver o contraste entre as pessoas mais abastadas, com suas roupas em cores gritantes e toda sua pompa, e a humildade sugerida pela maioria dos demais distritos. Ao final, senti-me inclinada a ler o livro não por ter me encantado com a história, mas na curiosidade de entender as pontas soltas (símbolo do tordo, o presidente de Panem, mentores de cada distrito, etc) que o filme deixou e o desenvolvimento da ideia dessses jogos para a população após o resultado. Não obstante, só posso dizer que fiquei satisfeita com o filme - nos termos a que se propõe - e a proposta da autora Collins.

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