domingo, 22 de abril de 2012

O Som e o Cinema

Neste ano, o meu contato com a música, percepções diferentes e descobertas sonoras ampliaram meu interesse para áreas em que eu não estava habituada a ler, assistir ou falar sobre. Eis que me interesso por uma revista sobre língua portuguesa que trazia a matéria O mudo na era do verbo, sobre o filme O Artista. Ainda não havia assistido o filme que foi premiado em várias categorias no Oscar 2O12. E neste fim de semana assisti a um documentário na TV Cultura chamado Learning to Talk (Aprendendo a Falar), tratando justamente da trajetória e criação dos filmes sonoros. Então resolvi assisti de vez o filme O Artista e agora tento deixar aqui minha reflexão sobre o assunto.

George Valentim e o seu cão.
Em relação ao filme, indicado o melhor na edição desse ano do Oscar, acredito que dos indicados que cheguei a assistir (apenas dois, Arvore da Vida (interessante, only) e Meia Noite em Paris (linda fotografia, mas é daqueles "sessão da tarde") a escolha foi acertada (se bem que vou tentar assistir os demais, especialmente A Invenção de Hugo Cabret). Mas ver antes do filme o documentário Learning to Talk me ajudou bastante a entender o sentido do filme O Artista e entender a nostalgia e discussão que causou na temporada das indicações dos filmes "oscarnianos" (neologismo?). Como não se impressionar ao saber do uso de orquestras, pianistas e cantores nas sessões ao vivo dos filmes mudos, a fim de lhes dar um sentido mais apurado à plateia? Chega a ser cômico algumas situações... O que também nos dar uma lição de que muitas coisas se desenvolvem antes em áreas que "não tem nada a ver", como por exemplo, a Física e a Química foram muito importantes no processo de criação de filmes sonoros. De fato foi deveras rápido a chegada do som em sincronia com as imagens nas salas de cinema, ou seja, um pouco mais de 30 anos após os filmes dos irmãos Lumiére.

Também é comum nos perguntarmos como as pessoas naquela época duvidavam da potencialidade do filme sonoro, o que vemos explícito no personagem George Valentin, no filme O Artista. Hoje em dia acredito que a maioria das pessoas não imagina um filme sem uma pitada sequer de uma música ou voz dos atores em cena a fim de deixar o filme mais atrativo e interessante. A música, na forma como disse anteriormente, com seu uso ao vivo nas salas de cinema, talvez seja a expressão mais forte de que o som realmente é uma das peças importantes no sucesso dos filmes modernos e com isso trouxe um aprimoramento nas composições dessas músicas para fazer parte da trilha sonora de um filme. Aliás, abrindo um parêntese, Hans Zimmer tem me chamado a atenção com suas trilhas sonoras produzidas para grandes filmes.

Charles Chaplin em uma de suas cenas
mais célebres (City Lights).
Porém, não podemos deixar a escanteio os filmes mudos, cujo Charles Chaplin é um grande expoente. Pra mim, é sempre bom essa volta ao passado, por meio de filmes em preto e branco, e utilização novamente dos recursos como o filme mudo. Isso me abre um leque de reflexões sobre a origem do cinema, as dificuldades iniciais, o papel do ator naquela época, cuja expressão corporal e facial eram levadas mais em conta. Todas essas coisas que não devem ser esquecidas mas sim nos acrescentar e nos lembrar o quanto o cinema é uma arte e que com certeza ainda vai nos impressionar muito.

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