O que a leitura significa para os brasileiros? 45,7 milhões
de pessoas não souberam responder espontaneamente a essa pergunta. Já dentre os
mais citados está o conhecimento, algo importante, crescimento profissional,
sabedoria, dentre outros. Mas o que isso reflete na nossa sociedade? É sabido
que o brasileiro pouco lê. A situação tem mudado sim, mas ainda estamos com
níveis de leitura e de interpretação de textos muito baixos. Como sanar o problema?
Esse dado foi extraído da segunda edição da pesquisa Retratos de Leitura no Brasil. Acompanhando os dados de forma geral podemos concluir
muitas coisas. 60% dos entrevistados não conhece ninguém que venceu na vida
graças à leitura. Como as pessoas verão algum estímulo olhando por esse lado
não é mesmo. Mas vale salientar, acredito que grande parte dos entrevistados
não fez/fazem parte de um grupo que teve acesso aos estudos. Acompanhando outros
dados, 77% usa seu tempo livre para assistir televisão. Dos que escolheram a
leitura, 79% tem formação superior, moradores da região sul (72%), são chefes
de família (76%) e possuem renda familiar acima de 10 salários mínimos (78%).
Segundo dados do PNAD 2006/IBGE, comparados ao ano 2000, em
2006 foram verificados diminuição de aproximadamente cinco milhões de pessoas
analfabetas. Mais pessoas concluíram o ensino médio e outras cinco milhões
entraram no ensino superior. Mas o número de leitores de livros que são indicados
pela escola é superior ao número de leitores que leem por livre espontânea
vontade principalmente no ensino fundamental. Apenas no ensino superior é que o
leitor buscará autonomia maior em relação à leitura de outros livros fora do
círculo educacional. A classe A e B estão entre os que mais leem livros que não
são indicados pela escola.
O que mais leem? Revistas, livros, jornais... E a Bíblia está
como o gênero mais lido, precedido pelos livros didáticos, romance e literatura
infantil. Monteiro Lobato, Paulo Coelho e Jorge Amado estão entre os mais
lembrados, dos escritores brasileiros numa resposta espontânea. Entre os livros
mais lidos estão os best-sellers e já consagrados, Código da Vinci, O Segredo,
Harry Potter, Sítio do Pica-pau Amarelo, etc. A infância e a adolescência são
lembradas como o período em que as pessoas mais liam!
Muitos leem por prazer (63%), enquanto outros fazem por
exigência do trabalho. Leitores com menor escolaridade são os que mais leem por
exigência da escola ou por motivos religiosos. Muitos leem apenas trechos ou
capítulos dos livros (55%). Já a releitura é feita por grande parte apenas a da
Bíblia, não retomando muito dos títulos mencionados na pesquisa. Apenas 9% leem
em outros idiomas, mas convenhamos: se grande parte não lê nem no seu próprio
idioma... Muitos não leitores nunca viam/veem alguém lendo em casa e nunca
foram presenteados com livros e revistas. A média é de 25 livros por
residência. Mas muitos livros são emprestados e 66% dos livros estão nas mãos
de 20% da população. 3 em cada 4 brasileiros não vão a bibliotecas.
A pesquisa é bem ampla, e possui muitos dados que nos levam a
muitas constatações. Programas como o Pronacampo lançado esta semana são
iniciativas bastante louváveis, mas que precisam ser eficientemente executados.
A leitura no Brasil ainda possui muitas lacunas. Próxima semana irá acontecer o
lançamento da terceira edição dessa pesquisa, Retratos de Leitura, no qual a
abrangência de pesquisados foi bem maior. Mas ainda há muito que avançar, e é
esperado que as discussões sempre nos leve a um caminho que gere mudanças e
abarque setores ainda em carência, e não a perpetuação de interesses elitistas.


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