Na quarta-feira, O7 de março, participei da 8ª conferência da etapa territorial da I CNATER (I Conferência Nacional Territorial sobre a assistência técnica e extensão rural na agricultura familiar e reforma agrária). Haverá a etapa estadual nos dias 15 e 16 de março, ATER para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária e o Desenvolvimento Sustentável do Brasil Rural. Depois disso haverá a etapa nacional como escrita no começo do parágrafo, nos dias 23 a 26 de abril em Brasília (DF). As conferências têm como objetivo debater o papel da assistência técnica e propor diretrizes para a política nacional de Ater. Em relação ao Estado do RN, o papel da Ater é imperiosa para o desenvolvimento da agricultura familiar, principalmente em se tratando de um Estado que tem grande parte de sua geografia encravada no semiárido, caracterizada pela irregularidade pluviométrica.
O território onde aconteceu a etapa territorial ontem no campus central da UFERSA (Prédio Central) foi o de Assu/Mossoró. Havia cinco eixos temáticos onde após a mesa de abertura foram realizadas as discussões para a correção ou eliminação de algumas proposições. São eles: Ater e o Desenvolvimento Rural Sustentável; Ater para a Diversidade da Agricultura Familiar e a Redução das Desigualdades; Ater e políticas Públicas; Gestão, Financiamento, Demanda e Oferta de Serviços de Ater; e Metodologias e Abordagens de Extensão Rural. Vale salientar que a Ater assume papel estratégico na implementação das políticas públicas voltadas para o rural, especialmente de fortalecimento da agricultura familiar e reforma agrária e promoção do desenvolvimento rural sustentável, etc.
Tinha muitos técnicos da Emater e agrônomos. Senti como se estivesse fazendo agronomia novamente! Bacana essas ligações, e é um assunto muito importante, independente da área em que se trabalha. A comunidade dos Caboclos no Assu onde desenvolvo trabalho com o professor Dr. José Glebson (Dep. Ciências Sociais/UERN) estava acompanhando as discussões, assim como integrante da comunidade do Amarelão, Thayse e técnico da regional da FUNAI no RN, Martinho Andrade. Foi importante a discussão feita sobre as políticas públicas específicas para os grupos indígenas pois os mesmos não veem suas particularidades atendidas. Assim como foi observado o problema da migração de jovens que acaba prejudicando o desenvolvimento da agricultura familiar, assim como o papel das mulheres dentro dessa área e a prioridade que é dada, infelizmente, ainda, para os produtores capitalizados e com potencial exportador, já que as famílias em sua maioria produzem para si próprios e não recebem assistência.
A presença dos técnicos da Emater-RN foi significativa, pois os mesmos desenvolvem trabalhos nessa área e atualmente se encontram em situação problemática, frente às limitações que encontram na realização dos trabalhos e na carência de pessoal, parcerias e de qualificação para complementar os quadros da instituição. Distribuíram até uma "Nota à sociedade potiguar" explicando a situação em que se encontram. Felizmente, apesar das dificuldades é presente o esforço que muitos dos técnicos tem demandado e o otimismo junto à participação e luta a favor da agricultura familiar. O apoio governamental é imprescindível para uma qualidade nos serviços e aí onde se encontra a mobilização para que, como diz a nota, "o quadro gravíssimo em que se encontra a Emater-RN impossibilita a execução de políticas públicas direcionadas à agricultura familiar com eficiência e qualidade e toda sociedade do Estado do Rio Grande do Norte sem uma política rural sustentável que possa assegurar o desenvolvimento no campo".
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