segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Questões de Raça

Na TV Escola, documentário intitulado "A Cor do Dinheiro", produzido pela BBC inglesa. Aborda a questão de raça entre europeus, indígenas e negros. Apesar da complexidade do assunto, o documentário traz alguns pontos relevantes da História no que se refere a essa ideia da raça e seu início na História. Assistindo-o percebi que muitas coisas já tinha conhecimento e outras me acrescentaram. Como quando retrata o papel da Igreja na concepção de povos inferiores na América, baseado em Gênesis 9,25. Outro argumento utilizado para justificar a escravidão empregada pelos colonizadores era a do filósofo Aristóteles, onde este acredita ser a escravidão algo natural.

Bartolomé de Las Casas foi outra personalidade que apesar da defesa dos indígenas, acho que melhor seria o apresamento dos negros para trabalharem sob o regime escravo na América. O documentário pontua o papel do indígena durante a formação dos EUA. Antes ignorados e massacrados, após a independência passam a assumir uma importância na construção da identidade americana, como se isso dependesse da liberdade e da ligação social com os ingleses. Em contrapartida, os negros que ali vivessem não eram vistos a partir de nenhuma ligação com a terra americana, constituindo-se uma segregação e desigualdade continuada.

O iluminismo seria uma faca de dois gumes: lançando as bases para a discussão sobre a igualdade social e econômica entre os povos, ao mesmo tempo floresce um discurso racional, onde considerando os homens como animais, haveria distinção entre uma sociedade e outra. Apesar de toda a ideologia de raça da época, é verificado na América esponhola e portuguesa relações inter-raciais, porém justificadas devido ao seu número reduzido de colonos na América.

Concluindo com o impacto da colonização nos países africanos, demonstra como a Revolução Haitiana foi importante no início de uma revolta escrava que abalaria o sistema escravocrata ao redor do mundo. Em contrapartida o Haiti sofreu inúmeras sanções, o que de acordo com os historiadores, seria a razão de sua extrema pobreza. Assim a mudança no papel, com a liberdade, não mudaria o aspecto material dessas populações.

Então...

É sabido que um discurso de que a escravidão era movida mais por questões de lucro, do que de raça, explica alguns pontos. Mas não consegue explicar as implicações destas nos anos pós-escravidão. Como explicar o racismo ainda existente na sociedade como um todo? Será que falta consciência histórica, social nas pessoas? Por que ainda somos racistas? Amenizar as relações entre negros e senhores não alivia a questão de que tal ação de segregação transformou-se no mito da democracia racial, hipócrita e disfarçada.



No Brasil nada mais atual do que a discussão do sistema de cotas raciais. Os principais interessados veem-se numa roda de discussões infindas. Será que estamos sendo muito extremistas, ou não queremos admitir qualquer preconceito que por mais que não se queira ainda permanece, traços dos séculos em que a posição de ser escravo marcou a questão de ser negro em um mundo em que se queria liberdade.

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